sábado, 11 de janeiro de 2014

Amor x Preconceito


A cor da relação. Mulheres negras e as dificuldades com romances sérios


Quatro mulheres lindas e bem-sucedidas confirmam a tese que alguns estudos já abordaram: as negras têm mais dificuldade em engatar romances sérios


Por Flávia Duarte – Revista do jornal Correio Braziliense


O assunto é tão delicado que poucas têm coragem de tocar nele. Falar de desprezo, de se sentir preterida e de solidão abre feridas, joga na cara o preconceito que acompanha as mulheres negras ao longo de sua história. Ademais toda a discriminação que as tornam uma das personagens mais vulneráveis da sociedade — são elas que ganham menos, têm a menor escolaridade e ocupam os postos menos nobres do mercado de trabalho —, a cor da pele as obrigam a traçar um caminho mais longo e dolorido em busca do amor. Mais tortuoso ainda quando o destino almejado é o altar. “As mulheres pretas se casam mais tarde, apresentam maior índice de celibato e demoram mais para terem um relacionamento”, afirma a socióloga Bruna Pereira, pesquisadora colaboradora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem), da Universidade de Brasília.

As estatísticas no Brasil que confirmam a tese do abandono como consequência da raça são raras, mas a discussão é antiga. Professora no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina e doutoranda na PUC/SP, Maria Nilza da Silva diz que, na década de 1950, alguns teóricos tentavam entender o fenômeno de desvalorização da mulher negra, pouco vista como uma opção para ser esposa e parceira. “Já naquela época, para ser escolhida nesse contexto da conjugabilidade, a mulher negra acaba se relacionando com um homem de classe social mais baixa. Para ser escolhida, ela deveria ter alguma vantagem.”

Motivada pelo tema, Maria Nilza também pesquisou a menor oferta de parceiros disponível. Isso foi nos anos 1990, mas a professora defende que pouca coisa mudou de lá para cá. “A mulher negra continua discriminada em vários segmentos, inclusive no matrimônio. A possibilidade de encontrar um companheiro ou um parceiro é menor para ela”, afirma.
Intrigada pelo fato de as mulheres negras serem mais solitárias do que as brancas, a pedagoga e mestre em ciências sociais Claudete Alves resolveu, durante um ano e meio, mapear 1.127 casais em São Paulo. Desses, apenas 418 eram formados por homem e mulher negros. Uma das explicações para o número tão reduzido de casais de mesma raça estaria no fato de que os negros que ascendem socialmente querem se relacionar com as brancas. Eles buscam na união com outra raça uma forma de reforçar sua situação de suposto status. “O negro quer ter o que o branco tem e isso inclui a mulher branca. Muitos querem filhos com a pele mais clara do que a deles para não sofrerem o preconceito que eles também sofreram”, resume Claudete.
A rejeição também parte dos homens brancos. No Brasil, a negra é a minoria nos espaços culturalmente reservados para quem tem pele clara. Isso automaticamente as deixaria em desvantagem em relação às brancas.

Dos 18 casamentos civis que Claudete presenciou ao longo da pesquisa, apenas três uniram pares de negros. Uma dificuldade de encontrar um companheiro de mesma cor foi confirmada por todas as 11 mulheres negras que a pesquisadora ouviu na época. Entre os relatos, muitas contavam que, quando mais jovens, eram procuradas pelos negros apenas para iniciação sexual. Quando engravidavam, eles dificilmente assumiam o filho. Era uma relação de fim anunciado. Confirmação do estereótipo da negra sexual, que carrega até hoje, em muitos casos, uma pesada herança da escravidão, quando elas eram escolhidas para saciar o desejo dos brancos. Para o romance dar certo, eles exigiam moeda de troca. “Elas ainda diziam que, quando conseguiam ficar com negros, tinham que sustentá-los. Em geral, eles eram de escolaridade inferior e mantinham práticas sociais diferenciadas das delas.”
Um preterimento que é observado em todas as classes sociais. Quem confirma são mulheres lindas, bem-sucedidas, da classe média, que cresceram no Plano Piloto. Daniela Luciana, Jaqueline, Denise e Marília são negras. Também sentem o peso histórico que carregam com a cor. Confirmam o preconceito, a dificuldade de encontrarem um par em pé de igualdade com as mulheres brancas. Um problema que não é delas. Vem do outro. “Essas mulheres precisam entender que essa dificuldade é fruto de um problema social e não pessoal. Elas se inferiorizam como se não fossem bonitas ou interessantes”, lamenta Paula Pereira, pesquisadora-colaboradora do Nepem. Daniela Luciana, Jaqueline, Denise e Marília reconhecem que a dificuldade de romper as amarras do racismo não são delas, mas nem por isso enfrentaram sempre com tranquilidade os olhares de preconceitos.
“Muitas mulheres negras sentem que em suas vidas existe pouco ou nenhum amor. Essa é uma de nossas verdades privadas que raramente é discutida em público. Essa realidade é tão dolorosa que as mulheres negras raramente falam abertamente sobre isso.”
Bell Hooks é ativista negra e feminista norte-americana

Um par da mesma raça

 (Janine Moraes/CB/D.A Press) 

Janaína Bittencourt tem 24 anos. Foi criada no Plano Piloto. Ela e o irmão eram os únicos negros da escola particular em que estudava. Seu último relacionamento durou mais de dois anos, com um homem de mesma cor. Solteira, tomou uma decisão: quer um marido negro.
“Demorei muito para me enxergar como uma pessoa potencialmente bonita. Na fase escolar, não me lembro de ter sofrido aquele racismo duro. Passei a enxergar isso por volta de 13, 14 anos, quando a gente se interessa pelos meninos. Todo mundo tinha um parzinho, menos eu. Atribuía isso ao fato de não ser bonita. Identificava que tinha uma estética diferente daquela que na escola era importante, como o cabelo liso, por exemplo. Enfim, essas coisas que, depois de adulto, a gente aprende a relevar. O meu papel, naquela época, era o da amiga que faz a ponte para as outras ficarem na festinha.
Os homens mais velhos me notavam mais. Acredito que sempre despertei o apetite sexual deles. A abordagem comigo era sempre muito direta, não tinham o cuidado que tinham com as meninas brancas. É isso que pega na autoestima. Se eu ficasse com alguém, nunca tinha brecha para virar uma coisa a mais.

A família do branco tem sempre uma resistência maior. Era sempre um momento de tensão. Ficava na dúvida em dizer: ‘Avisa a seus pais que sou negra’. O primeiro rapaz pelo qual me apaixonei, aos 18 anos, era muito tranquilo em relação à questão racial. Quando fui conhecer a família dele, porém, a mãe dele ficou meio chocada, não conseguiu disfarçar. Pensei que era coisa da minha cabeça. Mas, depois disso, ele terminou. Dois meses depois, estava namorando uma menina branca.
O que muita gente não enxerga é que a preterição das mulheres negras é algo que a sociedade nos ensina. A mulher negra supostamente é boa para o sexo e para as relações superficiais, mas não para o casamento. Nesse jogo, as mulheres ficam relegadas até para os negros. É uma pequena morte você não ser viável para ninguém, nem para quem deveria ser seu par natural.

Eu me relacionei com homens brancos, mas o custo era muito pesado.  Não tinha liberdade de sair com as minhas tranças, se elas não tivessem com a manutenção certinha na raiz. A sociedade não está preparada para a estética negra. O homem negro, talvez por ter uma mãe negra em casa, entende que o cabelo crespo amassa quando você dorme. Com o homem branco, é sempre um processo. Tinha que acordar mais cedo,  passar uma água para o cabelo ficar mais ou menos. Namorar um homem branco é ter que passar por essas questões que não sei se quero. Demorei muito para me enxergar como uma pessoa bonita, passível de relacionamento, e agora não tenho que passar por tudo isso de novo.
O casamento implica, inclusive, ter filhos, e filhos negros. E, para algumas pessoas, isso é um terror. Talvez nem associando à cor da pele, mas ao cabelo duro. Por isso, muitas mulheres negras começam a amenizar os traços para entrar em uma estética tida como mais bonita. Eu quero que meus filhos sejam negros, que tragam na pele o simbolismo que minha família tem. Sou criticada quando falo isso. Uma tia falava que a gente tinha que ter essa preocupação de amenizar os nossos traços. Acho isso uma violência.

As mulheres brancas, via de regra, se casam mais, consolidam família, permanecem mais tempo casadas. Antigamente, para a mulher branca, o futuro almejado era ser esposa e dona de casa. Já as mulheres negras tinham que trabalhar para se sustentar. Para as negras, que durante muito tempo nem poderiam se casar, a família acontecia sem a presença de um homem. Por isso, entendo que exista essa fixação de se casar no papel. É a afirmação de uma afetividade que sempre lhes foi negada.”

Militante do afeto

 (Zuleika de Souza/CB/D.A Press) 

A baiana e servidora pública Daniela Luciana Silva tem 42 anos. Negra, viveu um casamento intrarracial e conta que já foi confundida com a babá da filha, Maria, 7 anos. Ela diz que as mulheres negras precisam trilhar um longo caminho na busca pela autoestima.
“Nasci contrariando as estatísticas, nasci classe média. Sou moradora do Plano Piloto, onde estão poucas negras. Os homens não abordam as negras com a mesma frequência que abordam as brancas. A cor é uma marca de pobreza, de alguém menos casável. Estudei em escola particular, na Bahia, onde eu era a única negra. Com 15 anos, tinha várias paqueras, mas os meninos nunca me chamavam para dançar, por exemplo. Meu primeiro namorado era negro. Chamo de namoro por licença poética. Foram alguns beijos durante as férias. Levei um tempão para namorar de novo. As mães de mulheres negras nos educaram para entender que, quando você saísse de casa, poderia ser alijada pelo racismo. Elas diziam que os homens não iam nos valorizar. Por isso, a mulher negra também é mais desconfiada. Você se torna menos ousada, menos espontânea. E, às vezes, acaba sendo arrogante para compensar as origens.

Até que, com 18 anos, fui fazer faculdade em Salvador. Lá, eu não era a minoria. Ao contrário, era modelo do que era bonito. Quando vim para Brasília, achava que não ia me casar, que não tinha mais chance. Mas me casei com 34 anos. Ele era branco e tinha 23. Ele nunca permitiu que apontassem essas marcas raciais entre a gente. Às vezes, notava que as pessoas nos olhavam como se quisessem dizer: ‘Como essa mulher está com esse rapaz?’. Imagina! Eu era mais velha e ainda era preta. Estamos separados desde 2010, mas nos casamos apaixonados, por amor.
Para a mulher negra, é muito difícil se relacionar. O que percebo, como militante e como mulher, é que todo mundo quer aprovação. O homem negro também. E ele faz escolhas. Em alguns casos, escolhe a mulher branca, porque também quer aceitação diante do grupo no qual é minoria, como acontece no Plano Piloto. Os que ascendem socialmente acabam frequentando lugares em que a maioria é de gente branca, então ele pode fazer suas escolhas afetivas com mais facilidade do que a mulher negra.

No entanto, se você define que preto só se relaciona com preto e branco só com branco, fica muito difícil encontrar parceiros. Tem homens que nunca vão ficar com uma mulher negra, porque ela não faz parte do gosto deles. Ele não quer alguém que carregue o componente da herança genética e familiar pobre. Ele quer uma coisa leve, sem a complexidade que é lidar com a questão histórica da raça, do preconceito. O problema não é nosso. É que nós temos mais elementos negativos nesse jogo. Não somos a escolha padrão de nenhum homem menos corajoso, menos seguro de si.
Eu não tenho essa restrição, mas há meninas que querem se relacionar só com negros porque decidiram marcar uma posição política também no campo afetivo. Não acho errado. Eu quero me casar de novo. Sei o que quero e do que preciso. O que nos diferencia das mulheres brancas é que temos um trabalho muito maior para chegarmos por inteiro e seguras em um relacionamento. Sou militante do afeto. A sociedade é que nos leva a aceitar pouca coisa, mas eu sei o que eu mereço e não aceito.”


Amor entre raças

 (Janine Moraes/CB/D.A Press) 

A antropóloga Denise da Costa, 29 anos, nunca pensou em se relacionar com um homem branco. Até esbarrar com aquele que seria seu marido. Casada há três anos, não nega que teve medo de ser apresentada à família dele e, volta e meia, enfrentam juntos algumas situações de preconceito.
“Antes do meu marido, só tive namorados negros. Não achava que fosse namorar um homem branco por medo de não me aceitarem. Tanto que, assim que comecei a namorar o Daniel, meu maior medo era de a família dele me rejeitar de alguma forma. Não aconteceu. Nós, mulheres negras, sabemos que nem sempre podemos ser aceitas nos ambientes que frequentamos e que isso também acontece nos relacionamentos afetivos.Meu primeiro namorado, aos 15 anos, era negro. Eu não era muito abordada nessa época. Olhava para as minhas amigas brancas e pensava: ‘Acho que sou mais bonita do que elas, mas os meninos estão olhando mais para elas.’ Hoje me sinto com a autoestima mais elevada.

De maneira inconsciente, evitei me relacionar com homens brancos. Eu circulava por espaços onde a presença do negro era maior. Acho que era uma proteção mesmo, de achar que não era o meu lugar. Mas estava solteira e queria conhecer pessoas interessantes. Foi quando comecei a namorar o Daniel, despretensiosamente. Nós nos conhecemos na faculdade. Para ele, foi uma experiência nova também. Ele nunca tinha namorado uma mulher negra.
A questão racial acabou sendo imposta na vida dele. Por eu usar meu cabelo natural, já aconteceu de as pessoas gritarem comigo na rua para eu cortá-lo. Meu marido fica indignado. Teve também um outro episódio, que aconteceu no condomínio de luxo que a irmã dele mora, em Minas Gerais. Na hora da identificação, o porteiro falou: ‘Seu irmão está aqui com uma morenona’, de um jeito muito agressivo. Por que ele não pensou que eu era mulher dele e respeitou? Existe um0 racismo muito sutil no Brasil, que é tão subjetivo que você não consegue desmascarar e dar nome àquilo que está acontecendo.  E existe esse racismo escancarado. Daniel fica nervoso nessas situações, xinga, mas eu digo: ‘Não mexe com isso não.’Fico pensando como vai ser meu filho com o Daniel. Sei que terão expectativas sobre como ele vai nascer, se será branco, mestiço, com cabelos crespos ou não. Mas o importante é que eu quero ensinar a ele as coisas que aprendi sobre racismo. Tarefa nem um pouco simples.”

A beleza da minoria

 (Janine Moraes/CB/D.A Press) 

A auditora Marília Santos, 26 anos, sempre circulou em meios em que era a minoria. Está solteira há sete meses, depois de um relacionamento de quase um ano com um homem de mesma raça. Estilosa e linda, explora seu diferencial para chamar a atenção. Sempre atraiu olhares e reconhece que nem todas as negras têm as mesmas boas experiências para contar.

“O que sempre achei diferente é a abordagem do negro e do branco. O negro parece que se sente no direito de chegar em você porque você também é negra. Ele já fala assim: ‘Nós que somos dessa raça bonita…’ A raça não pode ser um quesito para ficar junto. Sempre convivi com homens brancos. Em qualquer reunião que vá, provavelmente, sou a única negra. Até por isso acho que a maioria dos meus relacionamentos foi com homens brancos. Namorei cinco vezes: dois negros e três brancos. Comecei a me sentir atraída por negros quando já era mais velha, porque não tinha contato com os negros. Nos meus relacionamentos, nunca passei por situações de preconceito, mas já tive medo. Quando a gente toma consciência da nossa raça, temos medo. Quando era pequena, não me preocupava se era negra ou era branca, mas, quando estamos em um relacionamento, tememos não pelo rapaz com quem estamos saindo, mas pela família dele. Se ele quis namorar com você, é porque ele te aceita da cor que é, mas a família dele não é obrigada a pensar da mesma forma.

A primeira imagem que o homem tem é de que a negra é muito sexualizada. Acha que nós gostamos de uma abordagem mais ríspida, e não é assim. Também existe uma abordagem maior por parte dos estrangeiros. Ser negra está na moda. Não acontece comigo, mas acontece com outras negras, de se sentirem excluídas em certos ambientes. Normalmente, não sinto essa coisa, porque já chego querendo ser diferente. Nem mais nem menos, mas chamando a atenção. Muitas negras querem ser iguais a todas as pessoas da festa e aí elas se sentem excluídas. Já fui muito questionada e até excluída do meio. Me acusam de não entender o movimento. Eu não vivi essa realidade. Posso respeitar, apoiar a causa, mas não lutar com a mesma força de alguém que sofreu.”

Fonte: www.kultafro.com.br
Link:  http://www.kultafro.com.br/2013/09/a-cor-da-relacao-mulheres-negras-e-as-dificuldades-com-romances-serios/

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Nem Deus agradou a todos, imagine um homem que rima



Por Luiz Augusto

Milhares de internautas, através de suas mensagens de repudio causaram polêmica nas redes sociais pela escolha do rapper Slim Rimografia, para a 14ª edição do Big Brother Brasil (BBB).
Segundo alguns sites de notícias,  a assessoria do rapper anunciou em sua página pessoal a participação no BBB em uma mensagem que teve mais de 400 compartilhamentos em menos de 1 hora.

É complicado agradar a todos. O mundo inteiro é diferente. Pessoas possuem opiniões e gostos variados.
A intenção da emissora é agradar a todos os públicos. Por esse motivo ela procura colocar participantes de todas as classes sócias ,etnias e regiões do país, assim ela atrai a atenção de vários telespectadores.

Quanto ao rapper Slim Rimografia, não conheço o trabalho dele. Nunca soube de sua existência, então não posso julgar.
Mas toda essa polemica é por que aqui no Brasil o rap nacional esta ligado a marginalidade, favela, crime, ao contrario rap norte americano, que mescla ostentação, letras de temática sociais e o estilo "gangsta".
O ápice do rap nacional é o Racionais M'cs, que conseguiu atingir o sucesso utilizando uma fórmula, coisa que a nova geração não faz.

Grandes nomes da nova geração do rap nacional como, Projota, Rachid, e Emicida hoje possuem assessores, utilizam a internet para interagir com seus fãs, lançam clipes, anunciam os próximos shows e trabalhos, tudo através de sites de relacionamentos e quando aparece uma oportunidade de demonstrar seus trabalhos na TV aproveitam da melhor maneira possível.
O grande problema é que as pessoas que apreciam o rap nacional( principalmente aquele considerado a velha escola) não aprova esse tipo de atitude, principalmente aparições na TV. Por esse motivo criticam arduamente a nova geração. Mas independente de qualquer coisa o mundo da música tem espaço pra todos.

Fonte: http://www.geledes.org.br/acontecendo/variedades/22655-rapper-paulista-entra-para-o-bbb14-e-causa-polemica-nas-redes

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Racismo americano x Racismo brasileiro


Na mais recente lista de celebridades mais bem vestidas dos EUA divulgada pela revista People figuram três mulheres negras: as atrizes Kerry Washington (em primeiríssimo lugar) e Zoë Saldana, além de Solange Knowles (cantora e irmã caçula da estrela pop Beyoncé)

Por: Patrícia Fortunato

Você pode até achar que listas desse tipo são de uma futilidade sem tamanho, mas tente ver por outro ângulo. No mundo de imagens em que vivemos, uma galeria em que celebridades negras são reconhecidas como bem vestidas são uma injeção de autoestima para milhares de adolescentes e mulheres mundo afora, que muitas vezes não se sentem representadas pelos programas de tevê que costumam assistir ou nas revistas que leem.

Outro aspecto interessante da escolha da People é que estamos falando de mulheres bem vestidas, não de mulheres sensuais. No Brasil parece haver uma lei não escrita segundo a qual para negras e mestiças cabem classificações como sensual, sexy ou "dona de beleza exótica", mas raramente o rótulo de elegante, exceção feita à atriz Camila Pitanga. É como se a elas só fosse permitido ser lindas durante o carnaval, atividade importante até mesmo do ponto de vista econômico, mas muitas vezes encarada como manifestação cultural de menor valor.

Há uma diferença muito grande na maneira como EUA e Brasil lidam com o inglório passado da escravidão. Em ambos os casos, aboliu-se a prática, mas persistiu o racismo. Nos EUA praticou-se uma segregação escancarada e oficial, com leis que determinavam, por exemplo, que brancos e negros deveriam ocupar assentos em ônibus e trens de acordo com sua cor de pele. Já no Brasil, a segregação nunca foi oficial, o que facilitou a convivência diária, mas também originou um racismo subjetivo e perversamente sofisticado que muitos não enxergam. Talvez por isso os versos de "O Teu Cabelo Não Nega" (mas como a cor não pega, mulata, mulata, eu quero o teu amor ...)" ou não são compreendidos por muitos que os entoam ou tem seus efeitos minimizados.

O fato é que o racismo oficial praticado pelos americanos fez com que os negros se organizassem, o que foi decisivo para a derrubada de anomalias como as leis segregacionistas. Quando as batalhas mais duras contra a segregação foram vencidas, essa organização foi em parte canalizada para a conquista do sonho americano: o sonho de fazer parte da classe média.

Não é incomum por aqui (ou é bem mais comum que no Brasil) que membros da classe média negra americana manifestem-se quando acreditam ser representados de maneira caricatural em atrações televisas. E o poder econômico dessa classe que se manifesta se traduz em comerciais de cereais, medicamentos toda uma gama de produtos consumidos pelas classes medias protagonizados por negros. Os catalogos de roupas tambem costumam apresentar mais diversidade que os brasileiros, como modelos brancas, negras e asiáticas.

No Brasil, nesse momento em que tanto se discute a ascensão social dos mais pobres, os publicitários tem uma chance de ouro para criar campanhas mais inclusivas, que reflitam a beleza de todos.
*Esta coluna foi publicada originalmente no blog Ideação do Banco Interamericano de Desemvolvimento (BID).
Fonte: America e Economia

sábado, 16 de novembro de 2013

Religião e cinema



Por Luiz Augusto

Escândalos de abusos sexuais aqui, escândalos sexuais ali. Ações na justiça aqui, ações na justiça ali. Acordos financeiros para evitar ações já justiça aqui, acordos financeiros para evitar ações na justiça ali. Sacerdotes pedindo demissão aqui, sacerdotes pedindo demissão ali. Outros sendo afastados aqui, outros sendo afastados ali e perda de fiéis em todo mundo. Casos que mancharam a imagem da igreja católica em todo mundo.
Fatos como esse estão fazendo com que diretores de cinema e documentaristas produzam filmes sobre o tema O documentário " Minha Máxima Culpa: Silencio na casa de DEUS" é o caso. Produzido e roteirizado por Alex Gibney. No documentário o diretor retrata no macabro caso de pedofilia que vitimou mais d 200 crianças surdas, a partir da década de 1960, numa escola católica localizada em Wisconsin, EUA. Os abusos foram sofridas por quatro vítimas quando estudavam em uma escola, do Padre Lawrence trabalhava. O ator de Holliwood Ethan Hawke participa da produção.
È muito triste ver que uma instituição religiosa que possui vários de idade é prejudicada por algumas pessoas. O processo de reconstrução da imagem da igreja católica levará anos. Triste realidade!

FONTE: Jornal Destak

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Apenas opinião



Por Luiz Augusto


O big rider Laird Hamilton opinou sobre o acidente que aconteceu com Maya Gabeira e também onda surfada por Carlos Burle, em Nazareh, Portugal. Segundo ele, a surfista brasileira não esta preparada para surfar ondas nas condições na qual sofreu o acidente, e também criticou o big rider brasileiro, dizendo que a sua não pode ser validada, pois ele não completou a onda.
Depois de tais opiniões, choveu de criticas em direção ao surfista californiano radicado no Hawai, nas redes sociais vindas de fãs dos brasileiros.

O Laird Hamilton tem surf e história suficiente e de sobra para fazer tais observações. A opinião dele tem que ser respeitada! Não acho que ele esteja tentado tirar o mérito dos brasileiros e sim fazendo críticas pertinentes ao fato! A critica que ele fez foi totalmente técnica!
Se fosse assim ele desqualificaria o brasileiro em 1998, quando na perigosa onda de Killers, na Baía de Todos os Santos, México, Burle sagrou-se Campeão Mundial de Ondas Grandes na remada, sem auxilio do Jet ski, competindo contra nomes de peso do big surf mundial como o australiano Ross Clark Jones e o havaiano Brock Little e também quando sagrou se Campeão Mundial em Ondas Gigantes, em novembro de 2001, em Mavericks, na Califórnia, quando surfou a maior onda já registrada até a época, com 68 pés (cerca de 22 metros) e a Maya quando foi 5 x campeã mundial. Nesses episódios nunca se ouviu critícas de Laird!

Pela fato dos brasileiros no passado serem motivos de "chacota" e considerados "merrequeiros" e hoje estarem vivendo o melhor momento no surf, (pelo menos em termos de onda grande), qualquer tipo de critícas feitas por havaianos, americanos, africanos, australianos e imprensa especializada será interpretado pela torcida brasileira como, dor de cotovelo, arrogância, prepotência ou até falta de reconhecimento!
Realmente um mar daquele tamanho e só pra atletas qualificados e experientes( não que a Maya não seja). Não acompanho o dia a dia dos treinamentos da Maya, mas será que ela esta realmente preparada para enfrentar ondas daquela dimensão? Será que se ela não tivesse tomado essa vaca em Nazareh(Portugal) tais críticas seriam feitas?

São situações que é difícil fazer uma analise. A Maya é pupila de Carlos Burle, treina sempre com ele, Felipe Gordo e Pedro Scooby. Não é nenhuma novata ou até mesmo caiu de paraquedas no meio do surf, já foi 5 x campeã mundial de ondas grandes!
Sem contar que uma queda daquelas pode acorrer com qualquer surfista novato ou renomado, em qualquer onda!
Lard só deu a sua opinião!
Um cara que foi um dos inventores do tonw in, descobriu a onda de Teahopoo pro mundo e tem um vasta história dentro do esporte, não precisa de estar em Nazaré para dar sua opinião sobre determinado fato ocorrido dentro do surf!!!!
Independente de qualquer coisa, temos que respeitar a opinião de todos!
Aloha!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestos!



Por Luiz Augusto

O PCC matou vários policiais no ano passado.
A polícia por sua vez foi protagonista de diversas chacinas ocorridas na cidade. "Assassinou" várias pessoas inocentes!
Neste confronto entre agentes da lei versus agentes do crime organizado, mais de cem pessoas perderam suas vidas.
A cidade parecia o "velho oeste"!
O estado de São Paulo parecia "terra sem lei"!

Diante desses fatos fico me perguntando: por que não ouve manifestações e protestos da população ano passado, como esses que estão acorrendo nos últimos dias contra a matança entre PCC X Polícia em 2012 ?
A tarifa do transporte público na cidade de São Paulo já aumentou diversas vezes em anos anteriores e nunca ouve protestos violentos como os que estão ocorrendo.
O perfil dos manifestantes é sempre o mesmo, universitários e quase nunca trabalhadores de baixa renda da periferia.
O que esta por de trás de tais protestos?

sexta-feira, 29 de março de 2013

Aonde a S.E Palmeiras vai parar?



Por Luiz Augusto

Caramba... As vezes fico pensando: aonde o Palmeiras vai parar?
Quando era criança(década de 80) eu só ouvia falar em Ademir da Guia, Leivinha, Luís Pereira, Dudu, Leão e outros. Ou seja uma grande equipe!.
Me recordo que o Palmeiras era patrocinado por uma empresa de gás de cozinha, era um draga danada! Você não via ninguém com a camisa do clube. Só se falava no Flamengo do Zico, Vasco do Roberto dinamite entre outros. E o Palmeiras? Você nem ouvia falar!

No início da década de noventa veio a era Parmalat. Pra mim era só mais um patrocínio de camisa como outro qualquer. O técnico eu nunca tinha ouvido falar, era um tal de Otacílio Gonçalves(primeiro técnico da era Parmalat), mas ai o tempo passou e vieram as grandes contratações: Edmundo, Evair, Roberto Carlos, Gil Baiano, Ìndio, Jean Carlo, Zinho, Mazinho entre outros. O primeiro ano foi vice campeão do paulista de 92, perdendo a final para São Paulo de Telê Santana. No ano seguinte o técnico Wanderley Luxemburgo foi contratado e com um belo elenco foi campeão por vários anos. Ai você via "todo mundo" com a camisa do Palmeiras, e gritando orgulhosamente: é Campeão!!!!

O Palmeiras ganhou o título mais cobiçado por todos os clubes do Brasil: a Copa Libertadores da América!
Foi o augi do clube e sua parceira. Mas anos depois a parceria acabou!! Torcedores e crônica esportiva imaginavam que o clube tinha dinheiro em caixa e se modernizado. Todos se enganaram!!!
Depois que a Parmalat saiu do clube os dias de alegria se acabaram, foi só tristeza! Derrotas, rebaixamentos, falta de dinheiro, goleadas históricas, péssimos jogadores, dirigentes horríveis, gestões decepcionantes, manifestações de torcidas organizadas(as vezes pacíficas e outas não), agressões a atletas, esse foi o cotidiano pós Parmalat. ´
Pouco mais de dez anos do fim da co-gestão mais vitoriosa do Brasil, o Palmeiras ganhou poucos títulos: 1 copa do Brasil, 1 campeonato paulista e uma Copa Mercosul.

Quando vejo torcedores do Palmeiras nas ruas, tristeza e vergonha estão estampadas nos seus rostos!
Converso com alguns torcedores, e eles dizem que os títulos conquistados na década de noventa foram da Parmalat e não do Palmeiras.
Pensei, pensei e cheguei a conclusão: se a Parmalat não tivesse patrocinado o Palmeiras naquela época, hoje ele estaria na mesma situação que a Portuguesa de Desportos!
Num espaço de tempo de três anos já é a segunda goleada que o clube sofre pelo placar de 6x0. Humilhante!
Com um elenco de terceira divisão o clube disputa a Libertadores da América e o Campeonato paulista ou seja só participa, as chances de ganhar são muito poucas.
Fica as seguintes perguntas: O que aconteceu com aquele clube que servia de modelo para o resto do Brasil? Aonde foi parar aqueles elencos que serviam de base para a seleção brasileira? Não restou nada da era Parmalat?
Na situação que o Palmeiras se encontra, não resta outra alternativa ao seu torcedor do que viver de lembranças e se perguntar "aonde a S.E Palmeiras vai parar?"