quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

WCT 2009


O campeão do WCT(Word championchip tour)em 2009 foi com o australiano Mick Fanning (foto), mas na minha opinião tinha que ser outro "aussie", Joel Parkinson. Parko como é conhecido na Australia, obteve boas colocações ao longo do ano no circuito. Chegou à ganhar até tres etapas, mas depois foi muito irregular no circuito. Num campeonato onde se tem grandes adversários como, Taj Burrow, Kelly Slater, Bobby Martinez, Bede Durbide não se pode "amarelar". O título esta em boas mãos, mas gostaria que Joel, Taj ou Adriano"mineirinho" de Souza tivessem ganhado, para o WCT terem diferentes ganhadores em sua história. Mas independente de qualquer coisa o "caneco" esta em boas mãos. Congratulations Mick Fanning!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Panetone sabor Mensalão


Há dias atras novamente estourou mais um escandalo de corrupção ou "mensalão" no Brasil. Para falar a verdade não me surpriendi nenhum pouco, acho até que demorou para acontecer se tratando do partido em que pertence o principal envolvido. Mas o que mais me deixou "abismado" foi ver na TV simpatizantes do governador de Brasília indo pra rua defende-lo e ele ter falado que o dinheiro era para comprar panetone!Rsrsrsrsr... A parte boa da história: o povo indo pra rua protestar contra a corrupção. O cenário foi igualzinho ao de uma guerra urbana. Até me pareceu que eram os estudantes das décadas de 60, 70, e 80 lutando por DIRETAS JÁ.

Racionais, muito mais que um grupo de rap



Poxa, parece até que foi ontem cara. Era 1988 o Hip-Hop nacional tinha acabado de nascer na estação São Bento do metro, centro de São Paulo. Eu tinha oito anos de idade escutava rádio e sempre ouvia em vários nomes do rap, como, Thaíde e Dj Hum, Pepeu, Mc Jack, Mister, Black Junior, Sampa Crew, Catito, Irmãos cara de pau, Geração rap entre outros. Mas tempos depois ouvi falar de uns caras que iriam revolucionar o rap nacional, eles eram o Racionais Mc´s. Nunca vou me esquecer desse dia. Meu vizinho(Cido) era mais velho do que eu uns cinco ou seis anos, e ja curtia à noite, sempre ficavamos conversando sobre bailes.Até que um dia ele me falou dos caras(Racionais) e me lembro que logo depois ele comprou um bolachão(disco de vinil) e mostrou me a capa. Era o album "Holocausto Urbano" a musica "Panico na zona sul" era o hit do momento. De lá para cá, ja se passaram mais de 20 anos e todos que curtem o som dos caras sabem da história de sucesso deles.

O importante não foram só as musicas, mas tudo que eles significaram pra todos da minha geração. Na minha opinião através do Hip hop, suas declarações e postura diante da mídia eles viraram porta vozes da periferia. Foram os únicos artistas negros que não esqueceram de suas origens, depois que atingiram o sucesso e que davam entrevistas(raras vezes)e falavam tudo o que nós negros sofríamos na sociedade.
Concientizaram o povo pobre que somos vítimas de um sistema capitalista e político preconceituoso, que não da a mínima importancia para a população carente e só se preocupa com seus benefícios próprios.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Exposição e decepção ao mesmo tempo


Há dois dias atras estava navegando na net, quando vi em um site que estava á mostra no Hsbc Belas artes, uma exposição sobre a marca de surfwear australiana Rip Curl. Fiquei super feliz, afinal de contas não é comum acontecerem mostras de uma companhia de esporte. Fui todo entusiasmado para prestigiar a mostra, pois gosto muito de surf e por que á entrada é gratis. Quando cheguei ao local a decepção foi enorme, não pelas obras expostas, e sim pela quantidade de peças, que era formada por fotos, troféus, pranchas e roupas de borracha. Por se tratar de uma das maiores empresas de moda surf, e por ja ter quatro décadas de vida, eu esperava muito mais. Até por que a grife contribuiu com a evolução do esporte no mundo e por patrocinar nove campeões mundiais, todos eles grandes lendas da modalidade.

Não sou crítico cultural, mas uma exposição que no prefácio fala que a empresa tem 40 anos, passou por muitas fases, possui mais de mil funcionários no mundo e que a idéia de viver um sonho é o conceito da marca que, consiste em histórias ligadas a surf, drogas, viagens, riscos, rock'n'roll, mudanças, bons e maus momentos e possui um acervo só 15 fotos, dois troféus, quatro pranchas autografadas e uma camiseta de lycra num quadro emoldurado pra contar toda sua trajetória? Na minha humilde opinião é muito pouco!!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Samba, agoniza mas não morre


Dia 02, de Dezembro, dia nacional do Samba. A pergunta que me faço é :temos motivos para comemorar? Estamos no século 21, para muitos sinonimo de transformação, mudanças, modificações, renovação, e para outros vivemos uma fase de "O que era bom ficou ruim". Falo do Samba, um ritmo musical que é um dos patrimonios nacionais. Surgiu das misturas entre estilos musicais africanos e brasileiros. O primeiro samba gravado foi "Pelo telefone", composta em 1917, por Donga e Mauro de Almeida. Esta presente em todo o país mas, foi no Rio de Janeiro onde nasceu e se desenvolveu. Teve seu augi nas décadas 60, 70 e 80 , hoje sofre com diversas modificações feitas ao longo do tempo. Não sou saudozista mas, acho que verdadeiras lendas da samba como, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola, Donga, Silas de Oliveira, Tião Pelado, Araci de Almeida, Candeia, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Rei Jordão, Adoniram Barbosa e Guilherme de Brito devem estar se revirando no túmulo e dizendo uns aos outros,"Estão tentando acabar com o samba". As vezes tenho a ligeira impressão que estão conseguindo
.
De vez em quando ligo o rádio e coloco em uma emissora, e fico torcendo desesperadamente para ver se toca algum samba e o que ouço é sempre a mesma coisa:o sambanejo. Uma mistura de samba com sertanejo, frases cansativas(te amo, te adoro, te quero)arranjos musicais que mais se parecem musicais natalinas e componentes de grupos que por suas roupas e músculos á vista mais se parecem com "Pit boys" ou "surfistas" que, ao invés de estarem com pranchas nas mãos, estão com cavaquinhos, pandeiro etc.

A geração de Cartola teve como substituto grupos como,Originais do samba, Fundo de quintal, Samba som sete, João Nogueira, Roberto Ribeiro, Agepe, Mauro Diniz, Jorge Aragão, Beth Carvalho, Leci Brandão, Zeca Pagodinho que por sua vez quem os substituirão? Belo, Boca loca, Cecel Muniz, Doce encontro, Inimigos da Hp, Turma do pagode, Sorriso maroto, Travessos, Pixote, Alexandre Pires etc.
Interpretes como Dudu Nobre, Diogo Nogueira, Quinteto branco e preto, Fabiana Cozza, Marquinhos Dikuã, Almirzinho são alguns guerreiros que continuam tentando arduamente levantar a bandeira do Samba de raiz.



O verdadeiro Samba de raiz, feito no quintal de uma casa com Violão, Bandolin, Pandeiro, Cuíca, Agogo, Surdão, Chocalho, Repique, Tamborim com aquelas senhoras(que tem idade para serem minhas avós), tiozinhos com a boca sem dente discriminados pela sociedade, cantados e tocados por amor de seus interpretes ficou no passado. Hoje o que se ve é um bando de marmajos com camisetinhas regata apertadinha, brinco na orelha, cabelinho com gel e moicano dizendo, "eu pagodeiro, pego as paquitas e ganho dinheiro".


A indústria fonográfica no meu modo de ver, tambem contribui para esse acontecimento, a partir do momento que produzem discos e "bandas" que cativam o público jovem.

Outro dia fui numa roda de samba com amigos. Depois de uns 30 minutos ouvindo o repertório do grupo que estava tocando, vi um rapaz pedir para o vocalista tocar uma musica do grupo Relíquia e ele disse que não conhecia. Fiquei pasmo!!! Como um cidadão se dispõe a entrar em uma roda de samba, e não conhecer uma composição de um grupo que tem um trabalho respeitado dentro do samba? Em seguida, eles só cantaram canções do momento.

Acho que ja imaginando essa "tentiva de distorção" ao samba, o cantor, compositor e ator Nelson Sargento compos em 1979 "Agoniza mas não morre". Ja Adilson Gavião, Sereno e Robson Guimarães fizeram "A batucada dos nossos tantãs". Na realidade são musicas que em suas letras relatam o momento atual que vive o samba. Faz tempo que não ouço um "samba de partido alto". Até por que os "grupos" atuais não o fazem. Infelizmente quando quero ouvir musicas antigas, tenho que recorrer a internet ou ir em lojas de cds e ficar garimpando.

Outra situação que me entristesse é o das escolas de samba. Foram criadas por pessoas de comunidades carentes, principalmente negros. Mas agora mais se parece com um "balcão de negócios". Um bando de gente aproveitadora, que desfilam para se promover, às custas de componentes que ajudaram na fundação da agremiação e trabalham duramente o ano inteiro no barracão, confeccionando fantasias. Essa gente atualmente só desfilam se for empurrando carros alegóricos, uma pena!

O guerreiro que vai à guerra


Frei Davi comandando milhares de militantes em todo o Brasil em prol das cotas

Por Luiz Augusto

São Paulo, sábado ,12h30, o sol está escaldante chego a sede da Educafro, na rua Riachuelo,45, na região central de São Paulo. Logo sou recepcionado por um rapaz chamado Marcos, um universitário que faz faculdade de Ciências Jurídicas através de uma bolsa adquirida graças a ONG. Digo a ele que quero falar com o frei e ele me encaminha para falar com Eduardo Pereira diretor da Educafro que, me diz “O frei esta um pouco atarefado mas se quiser pode esperar.”Foi o que fiz durante 2 horas, nesse tempo conversei com várias pessoas, assisti a uma reunião de novos alunos, li informativos, revistas, jornais e um livro sobre jornalismo até que fui chamado por uma funcionária que me pediu pra segui-la a uma sala, e depois falou-me”Desce as escadas e pode entrar na sala em frente”. Fiz o que ela me falou e cheguei a um escritório no subsolo que continha estantes com livros, mesas com computadores, quadros e cartazes afros.

Um minuto depois frei Davi chega, com seus 1, 68 m ,usando óculos de grau, com barba grisalha vestindo uma calça jeans, camisa de manga longa listrada nas cores branca e bege, camiseta preta por baixo e com sua voz grave me diz”boa tarde meu rapaz”. Logo começamos a conversar.


Seu nome é Davi Raimundo dos Santos. Ele nasceu em 17 de julho de 1952, em Nanuque, Minas Gerais. È frade franciscano da Ordem dos Frades Menores(OFM)na Província da Imaculada Conceição do Brasil. Formado em Filosofia e Teologia pelo Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, com especialização em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Nossa Senhora da Assunção de São Paulo. Ele tem mestrado em Teologia Litúrgica com ênfase em Inculturação, pela mesma faculdade, cursou as duas ao mesmo tempo. Entre, cursos, seminários, congressos, dos mais variados temas, foram mais de 25 participações.

Sofreu muito preconceito nos tempos faculdade e disse.”Sofri racismo na sociedade como um todo, não diferente do que é normal” Hoje vive em São Paulo para comandar da sede da sua ONG. Teve por muitas vezes vontade de fazer mestrado e doutorado mas disse a si mesmo.”Enquanto a maioria do povo negro não tiver acesso a mínima graduação, e igualdade de ensino identicos as dos jovens brancos da classe média, eu não tenho direito de continuar os meus estudos.”

Depois de tomada tal decisão, começou uma luta intensa no movimento negro que já dura 37 anos. Sentindo a necessidade de oferecer mais perspectivas para jovens e adultos carentes fundou a Educafro (educação e cidadania para Afrodescedentes Carentes) na Baixada Fluminense, subúrbio carioca. Encontrou alguns problemas para dar continuidade ao projeto e disse.” As dificuldades que apareceram foram de infraestrutura e financeira. Começamos numa sala dentro de uma igreja, com cadeiras, uma lousa, professores e coordenadores voluntários da própria comunidade, que hoje já conta com 230 núcleos espalhados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Em virtude de sua vida na militância já percorreu mais de vinte países como: Israel, Peru, Equador Bolívia, Estados Unidos, Cuba entre outros. Mas a viajem que mais se orgulha é sua ida para Guatemala, onde conheceu alguns descendentes dos Garifunas. Grupo étnico formado pelos escravos africanos Arauaqui e por índios Caraíbas.

Gosta muito de fazer leituras de livros sobre historias modernas, produções cientificas, religiosos, sociologia e jornais diários. Mesmo tendo uma historia de vida interessante, não gosta da idéia de escrever uma biografia sobre sua vida. È considerado para algumas lideranças afrobrasileiras como a maior liderança negra da nação, mas não se considera como tal e diz”. Não me considero como uma referencia, a consequencia disso é, que sou muito procurado por causa desse fato. Eu acabo tendo essa fama, pela atividade que faço, mas o nosso trabalho é voltado a servir uma causa do ensino”.

Foi entrevistado por diversos veículos de comunicação como, jornais, revistas, emissoras de TVe rádio. Diariamente é chamado para ministrar palestras, frequentar lugares requintados em todo Brasil. Mas o seu maior prazer é estar de perto, coordenando a sua ONG e ver que pessoas de todas as etnias que participaram dos cursinhos da Educafro conseguiram realizar o sonho de fazer um curso superior através de muita luta e garra e diz”Não me arrependo de nada que fiz, luto por um Brasil mais plural no ensino”.conclui.

sábado, 4 de julho de 2009

Mulheres sem distinção


Exposição fotográfica mostra mulheres de cinco continentes diferentes das mais variadas formas,sentidos etc...

Por Luiz Augusto

O que seria do mundo se não fossem as mulheres? São mães, avós, esposas, tias, filhas, irmãs, amigas e companheiras. Proporcionam a todos o bem mais valioso do ser humano: a vida. Jilian, estilista em Los Angeles, Rosie Marie, religiosa em Uganda, Bneita, vendedora de peças automotivas na Mauritânia. Todas tem em comum o seguinte fato: são sobreviventes.
Independente de suas diferenças vão desviando diariamente de vários obstáculos impostos por uma sociedade machista e opressora. Quem quiser ver a mulher de vários angulos na sociedade tem a oportunidade de apreciar a exposição “Mulheres do planeta” de Titouan Limazou, na OCA no Ibirapuera, São Paulo. Onde estão expostas mais de 3000 mil obras entre fotos, pintura, desenho e vídeos.

A exposição é um dos quarenta eventos que fazem parte do Ano da França no Brasil, ocupa uma área de, 6 mil metros quadrados, distribuídos em 4 andares. O nome da mostra fez jus ao conjunto de obras, que contem mulheres de todo o planeta, de todas etnias, profissões, classe social, sentimentos e opiniões. Do 1ºao 3 º andar exposição é dividida em painéis, cada um deles conta a história de uma ou duas mulheres através de fotos, pinturas e principalmente vídeos. Já no 4º andar esta expostas imagens de nu artístico que mostra a vida de profissionais do sexo e atrizes pornográficas, no outro lado retratos e textos que contam histórias de luta e vitórias de mulheres.

A primeira vista quem entra no local se depara com fotos coloridas de , grandes mulheres em várias situações. Mas não só as personagens chamam atenção mas, tambem a diversidade e as condições dos locais aonde as mulheres foram fotografadas. Ambientes como países em guerra, prostíbulos, acampamentos reservas indígenas, favelas, cavernas fazem parte da precariedade e casas luxuosas e prédios de alto padrão fazem parte do luxo.
As lentes das câmeras do autor focam pessoas que brigam pelos seus direitos mesmo morando em países onde colocam a mulher em situação de inferioridade e de subordinação, limitando sua autonomia, seu poder de escolha e de decisão. O exemplo mais comum é de países muçulmanos como a Indonésia,India em que a figura feminina não tem valor algum e a cultura local é de submissão total ao homem. A personagem Hirã, moradora de Rajastão na India pertence a uma casta de intocáveis fala que a sua própria sombra representa é motivo discriminação.

O objetivo do artista é mostrar o panorama feminino no mundo. Retratar alegrias e tristezas, conquistas e perdas. Traduzir seus dramas em arte. Através de entrevistas e depoimentos Titouan conheceu histórias tristes de mulheres que vivem em civilizações que as discriminam e privilegiam os homens. Mas também foi testemunha de mulheres militantes que não se deixaram levar pelo domínio masculino que são independentes que batalham por um mundo melhor. Com sua sensibilidade ele conseguiu entrar no universo feminino e ouvir verdadeiros “desabafos”, e o que mais importante: sem fazer juízo de valores.

Andando pelos corredores do pavilhão e visualizando as obras, percebe-se o contraste entre mulheres dos 5 continentes visitados pelo artista. Em alguns países do oriente médio e Ásia, a grande dificuldade das mulheres em trabalhar com arte, cultura, recreação e comunicação. Já em outras nações onde os costumes são ocidentais, mulheres são discriminadas mas, conseguem exercer suas profissões, expressar suas idéias e não se submeterem a mandos e desmandos masculinos, como a documentarista chinesa Yang Li Na que sonha em um dia sair de casa e filmar livremente sem ter medo o tempo todo.


Impressionados, admirados e surpresos


O público que prestigiou a exposição era variado. Adultos, idosos, jovens, crianças e estudantes. Muitos olhavam com admiração e espanto as diversas condições que a mulher vive mundo a fora.
O designer gráfico Cristian Reid, 21, gostou do nível de detalhamento das fotos. “Achei impressionante a resolução e nitidez das fotos. O artista procurou retratar a cultura de um lugar através das mulheres e posicionou bem os retratos para as pessoas não se habituarem com uma só cultura.”
O artista plástico Mauro Sergio Ramos, 28, gostou da montagem da exposição. “Achei ela bonita e bem montada. Vejo muito respeito e atenção as peculiaridades das pessoas, é um giro pelo mundo. Cada ambiente tem a sua beleza, mesmo tendo miséria e conflito. Ele somou duas coisas de bastante aceitação: beleza e mulher.”
Única mulher a ser entrevistada no local, a estudante de ciências políticas Paula Külne, 22, que mora na Alemanha, respondeu algumas perguntas sobre o evento e a atual situação das mulheres. "A exposição é muito impressionante pela sensibilidade dos desenhos, as diferentes vidas das mulheres. O autor não mostra só a beleza feminina mas, a sua personalidade e algo que elas tem a dizer em várias situações de vida. As mulheres tem bastante a melhorar na forma que é tratada. Os movimento femininos vão conquistar o mundo. A obra é magnífica."

O artista

O marroquino Titouan Lamazou, 54, não é só um fotografo. È também velejador, desenhista, pintor ou seja um artista completo. Com apenas 17 anos de idade entrou para conceituada Escola de Artes de Marselha. Passou por quinze países diferentes durante 8 anos. Ao longo desse tempo colocou a sua humildade em seus feitos e desenvolveu a habilidade de ouvir mulheres oprimidas que ao mesmo tempo contribuem a seu modo para melhorarem sua situação. Por causa de seu engajamento pela mulher criou a Lysistrata, uma ONG que luta pelos direitos femininos no mundo. Tem como objetivo informá-las através de palestras com educadoras e com suas ferramentas de trabalho. Ela esta presente em países da Europa, Ásia e América do Sul como o Brasil. Em virtude de suas expedições por diversos lugares, teve seu trabalho reconhecido ganhando em 2003 o premio de “Artista pela Paz’ concedido pela UNESCO(organização das nações unidas para a educação) e apoio financeiro da instituição.

Viagem ao Brasil

O Brasil também esta presente nas atividades do marroquino. No ano de 2004 quando esteve em território brasileiro e colocou em seu repertório a beleza feminina nacional. Percorreu os estados de Tocantins, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Colocou em prática sua ambição de mostrar a mulher num contexto geral, ele fotografou, desenhou e ouviu de anônimas a famosas. Pelo lado das ilustres fez parte da obra a atriz Dercy Gonçalves (1907-2008) e a ex Ministra do Meio Ambiente Marina Silva que, em forma de texto tem sua história de vida contada que passa por dificuldades , lutas e vitórias. Em relação as desconhecidas, fizeram parte mais de 10 brasileiras mas, o relato mais interessante é da catadora de lixo reciclável “Tiane” que logo depois virou modelo fotográfica.

Exposição “Mulheres do Planeta”

Artista: Titouan Lamazou
Período expositivo: até 11 de julho de 2009
Local: Oca – Pavilhão Lucas Nogueira Garcez.
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 3. Parque do Ibirapuera
Horário: das 10:00 às 20:00hs
Preço: Estudantes R$ 5,50/ Não estudantes R$ 11,00
Patrocínio: Bradesco/Natura
Apoio: Unesco


Histórias de mulheres




ENILDA LUCIA SUZART MEDRADO, divorciada, mãe de três filhos, formada em História pela Unifai(Centro Universitário Assunção) militante do movimento negro, fundadora do núcleo de mulheres negras da ONG Educafro. Mora na periferia do Município de Suzano.

A história de vida de Enilda começa em 1968 quando se mudou do bairro de São Miguel(zona leste). Tinha o racismo como lado a lado quando criança. Quando estudava a 7º serie do ensino fundamental foi reprovada pelo fato que alunos(todos brancos) de sua classe não queriam fazer trabalhos escolares com ela. Esse acontecimento gerou uma depressão que, a fez não freqüentar as aulas, e acabou reprovada. Estudou até o primeiro ano do ensino médio na década de oitenta. Com quinze anos parou de estudar pelo fato de não conseguir conciliar as duas coisas por muitas dificuldades. Sempre se considerou uma militante por ser a única mulher entre 8 irmãos homens e na adolescente por se indignar com as injustiças que acontecia no seu bairro.

Ao mesmo tempo que diversas vezes ajudava pessoas do seu bairro a conseguir moradia, teve um irmão assassinado. Trabalhou em muitas empresas metalúrgicas como ajudante, carregando peso. Depois de casada e com filhos adolescentes, terminou o ensino médio através do supletivo, logo depois fez curso de Turismo em Mogi das Cruzes.
Em muitas de suas andanças conheceu o professor História Evaristo Pinto(o maior ativista negro do Alto Tietê), em 2004 e por ele foi apresentada a Educafro, uma ONG que tem com objetivo inserir negros e pobres nas universidades. Dali em diante começou a militar pela causa do negro no Brasil. No segundo semestre do ano de 2005 começou a fazer faculdade de História. Militando dentro da ONG e sentindo a necessidade de ter mulheres discutindo o gênero feminino com recorte racial, criou o Núcleo de Mulheres Negras. Um grupo de mulheres que se reúnem para discutir problemas costumeiros na vida de mulheres, como: saúde feminina, racismo por serem negras, discriminações no mercado de trabalho e outros. Perguntada sobre o que acha da situação das mulheres no Brasil diz,” nós precisamos nos unir, concientizarmos, articular, e perder a vergonha de ser negra.”

A serviço da ONG já viajou para alguns lugares do Brasil, como: Brasília, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Uma de suas maiores alegrias como militante foi conhecer o Frei Davi(fundador da Educafro) e participar do Forum Social Mundial realizado em Porto Alegre em 2003. Lá conheceu diversos pessoas que como ela lutam por um país mais justo e igual para todos. Nos dia de hoje divide o seu tempo dando aulas, fazendo serviço voluntário e prestigiando o sucesso dos filhos que estão fazendo faculdade.

ISLENNE APPARCIDA DE CARVALHO, 51, auxiliar de enfermagem, funcionária pública,separada, mãe de 3 filhos, moradora do bairro de Itaquera, Zona Leste
Nasceu na Bela Vista e foi criada em Suzano.Batalhadora desde quando nasceu, Islenne nunca se abateu com as dificuldades impostas pelo destino. Já criança foi tingida por vários dramas. Quando nasceu, sua mãe queria jogá-la num córrego, mas foi impedida por uma senhora de 1,65 m de altura, a senhora Maria Leonor, hoje sua verdadeira mãe. Com 14 anos já trabalhava em fabricas de sapato no bairro do Brás. O pouco que ganhava só dava para ajudar a mãe a comprar comida. Era uma ótima aluna quando estudava mas, com o serviço teve que parar com os estudos por não agüentar de sono na sala de aula.

Quando completou 18 anos prestou um concurso para a secretária de saúde de São Paulo. Foi aprovada, a partir desse momento sua vida mudou. Logo em seguida se tornou funcionária do Instituto Pasteur na avenida Paulista. Casou-se grávida aos 21 anos, sete anos depois se separou . No ano de 1988 voltou estudar através do supletivo no, período noturno. Muitas vezes deixava seu filho com 8 anos sozinho em casa, num bairro perigoso da periferia paulista. Ao terminar os estudos conseguiu uma bolsa de estudos integral para cursar o curso de auxiliar de enfermagem. Depois de 2 anos se formou e, conseguiu emprego numa grande empresa hospitalar.
Atualmente trabalha em dois serviços, possui mais dois filhos frutos de outro relacionamento e luta pela vida intenssamente. Participa de uma Associação que defende os direitos dos funcionários públicos. Perguntada sobre o que acha das mulheres brasileiras diz,” temos muito a conquistar, só vamos fazer isso no momentos em que nos organizarmos.”